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Saiba mais sobre minhas lembranças, essência, caminho…

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Não consigo apontar apenas uma lembrança daqueles áureos tempos, pois seria injusto à minha própria existência. Tudo foi interessante. Tudo foi importante, de onde tenho grande saudade.

Tive uma infância tranquila, nos moldes de cidade pequena, interiorana. Afinal, sou de Urussanga/SC. Tenho amigos de raiz, desde os primeiros anos, e uma família muito unida, até hoje. Vivo ainda os costumes ditados pela sociedade e pelos ascendentes, normais, valorizando a gratidão e a humildade, muito diferente dos dias atuais. Penso que tudo que se refere à infância passa a ser interessante no ponto de vista de quem abraça e dá valores às pequenas coisas típicas de cidade pequena. Foi assim que tive meu primeiro contato com a boa leitura, valorizando as obras que tinha em mãos, mas sempre mantendo a integridade, essência e valores enraizados no pensamento. Um aprendizado de vida junto dos meus pais e irmãos; um meio propício que me incentivou a adentrar na área literária. É um mundo mágico, onde limites não existem e tudo é um tesouro. Não consigo apontar apenas uma lembrança daqueles áureos tempos, pois seria injusto à minha própria existência. Tudo foi interessante. Tudo foi importante, de onde tenho grande saudade.

Com o apoio dos meus pais em todo caminho da minha carreira literária, percebi como a idoneidade e o caráter, dois valores ensinados por eles, são importantes para a vida. Repasso os mesmos para os meus filhos, ainda pequenos, que seguirão esse bom exemplo e continuarão essas ideias para as futuras gerações. Meus pais, inclusive, incentivaram o conhecimento dos maiores Autores e Personagens Históricos e Fictícios, ícones até hoje. Foi por meio dos Livros, Enciclopédias, Almanaques, Gibis e tudo que aparecia em cima da mesa, trazidos por meu pai e minha mãe, que passei a ler com interesse em aprender mais. Recordo-me dos Gibis, como dito, da Enciclopédia Tesouros da Juventude, da Delta, da Mirador, Revista Seleções, álbuns de figurinhas, livros de diversos autores e jornais, todos sempre aparentes pela casa.

Quem me vê agora, não acredita que também já cursei Engenharia de Alimentos. Desisti da carreira de engenheiro para optar pelo Direito, minha paixão. Para o mim, Direito e Poesia são áreas muito distintas, quase que incomunicáveis. Enquanto o Direito é ditado pela sociedade vigente, a Poesia bem elaborada é atemporal. O Direito é aplicado. A Poesia é inspiradora. O Direito é travado, com letras frias. A Poesia, com letras muito quentes. Mas vejo que há um ponto de convergência entre ambas: elas requerem uma ótima percepção de ler, escrever, e também adoração à arte vivencial. Consigo separa-las, sempre. Acredito que, no fundo, uma auxilia a outra. Ambas são minhas grandes paixões e esta é mais uma razão da mencionada convergência, um sentido para prosseguir com ambas sem que seus caminhos distintos comprometam uma à outra na minha vida.

Porém, confesso que não me vejo com o dom da poesia. Penso assim, pois creio que ninguém possui dons, mas sim o exercício de algo que gosta em patamar mais apurado, digno de elogios e críticas. É como Cortella clarificou certa vez para mim, em particular: “caso alguém disser que uma pessoa possui dom é para se ficar irritado, pois a resposta oportuna seria dizer ao indivíduo que ‘tens mérito'”. Utilizo muito esta frase. Afinal, ninguém terá dom se não fazer o que gosta.

Pensando nisso, decidi não me restringir somente aos poemas. Tenho mais de mil escritos e já produzidos, mas deixo claro meu apreço por textos bem elaborados e que passam uma ótima imagem ou reflexão já na primeira vista. Na minha pré-adolescência, escrevi cadernos e mais cadernos com extensos temas e textos, porém a minha poesia primogênita não me vem à cabeça. O tempo passa e a nostalgia bate. Por isso, homenageei todos os textos produzidos em tal época repleta de conflitos quanto ao pertencimento, no meu poema do pudico personagem “Puck”, escrito nos idos anos 80 e publicado em meu livro de estreia, o “Nove”.

A grande maioria dos temas que escrevo são existenciais, muito filosóficos e psicológicos. Talvez, extraí conhecimentos dos meus longos anos na advocacia, atendendo a muitas espécies de conflitos e traumas, conversando com muitas pessoas e clientes. Tive, então, de incluir essas mensagens em minhas obras, pois esse é um riquíssimo conhecimento adquirido por esses encontros. Amadureci muito ouvindo a todos e criando-lhes soluções. Acredito que a base do que escrevo é a vivência da complexa humanidade, a qual me incluo.

Mas, para publicar livros, percebo que há uma sequência de fatores a se levar em conta. Tendo que chegar a ponto de escrever ou compor algo é porque já se tem uma certa carga de vida ou aprendizados, mesmo que pós-tragédias. Acredito que escrever é lapidar a consciência através do papel; exteriorizar o que pensa naquele instante, sem medo de errar. Obviamente, se eu não tivesse a carga de aprendizados que tive lá atrás com meus pais e estudos no Colégio, não colheria um livro. Creio que nem passaria esta dádiva no pensamento.

Por fim, espero que você, que venha a ler os meus livros, sinta a sinceridade nos textos. O gosto e simpatia pelo que acabou de ler. Um acréscimo, mesmo que ínfimo, no seu modo de pensar, positivamente. E, talvez, uma amizade sincera que começará através das letras.